quinta-feira, 23 de junho de 2011

Looping

Vem de baixo para cima e me consome por inteiro.
É como a experiência do primeiro dia de aula, o frio na barriga, a confusão por não conhecer nada nem ninguém, é o medo de começar uma nova rotina.
É como estar em uma montanha-russa, as subidas são marcadas pelo nervosismo e o aumento da adrenalina, enquanto a descida, para os mais corajosos oferece alívio e segundos de diversão, já para os mais covardes oferece segundos de agonia e arrependimento.
É como andar de avião pela primeira vez, na decolagem agarrar-se ao assento com medo, mas durante o voo chegar a soltar o cinto e ir até o banheiro.
Toda nova experiência gera a insegurança e a certeza de que nada dará certo. As perdas nos fazem sofrer e achar que é o fim do mundo, mas o tempo cura todas as cicatrizes.
O tempo. O melhor remédio, cura dor de amor, cura tédio e imaturidade. Nada melhor.
Tantas divagações sem nexo algum. Essa é a vida. Formada por pequenos sofrimentos, até mesmo os momentos de alegria nos trazem sofrimento pelo simples fatos de terem acabado. Momentos de tristeza são curados pelo tempo. E os demais, o ser humano vai levando...
Estou de mal com essa tal de vida, que me fornece um looping de sensações e sentimentos e me faz divagar tanto para chegar a lugar nenhum.
O que sai de baixo para cima e me consome é o medo. Medo do novo, do velho e medo da vida. Acho que a única cura é ir levando do jeito que der e ver aonde tudo vai dar...

domingo, 19 de junho de 2011

Trilha sonora da sua vida.

Regras:
1. Abra sua lista de música
2. Coloque no modo aleatório.
3. Aperte play.
4. Para cada pergunta abaixo, escreva o nome da música que esteja tocando.
5. Quando passar para a próxima pergunta, aperte o botão pra avançar pra outra faixa

Trilha sonora:
Créditos iniciais: Strawberry fields forever - the beatles
Tema do seu nascimento: Me and jane doe - charlotte gainsbourg
Primeiro dia na escola: Time to pretend - mgmt
Primeira briga: Descoberta - los hermanos
Primeira decepção amorosa: New slang - the shins
Tema de sua vida escolar: Crying lightning - arctic monkeys
Tema de sua vida adulta: King of the night - copacabana club
Trilha sonora para sua primeira vez: La redécouverte - yann tiersen
Trilha sonora para as demais vezes: Another sunny day - belle and sebastian
Primeira canção em seu carro: Home - she and him
Tema de seus flashbacks: Head to toe - kings of leon
Sua canção de namorados: You make my dreams - hall and oates
Música de seu casamento: Último romance - los hermanos
Tema do nascimento de seu primeiro filho: Gap - the kooks
Última música que ouvirá antes de virar gagá: Dance agora - cachorro grande
Música que estará tocando quando morrerá: Alive - pearl jam
Música do funeral: All my own stunts - arctic monkeys
Créditos finais: Hey ya - cocoon

sábado, 4 de junho de 2011

Melancolia aguçada.

Encontrava-me sentada em um velho café. Tinha como forma de distração uma xícara cheia e um caderno quase completo de histórias.
Histórias estas que haviam sido escritas em tempo ocioso e solitário. As palavras, tão amigas, serviam como um consolo para tudo que se passava.
Escrevia naquele momento sobre um casal apaixonado. Uma história melancólica e, aos olhos de muitos, poderia ser desagradável. Não possuia um final feliz, não. Pra quê esses clichês de "felizes para sempre"? Gosto mesmo é de fugir da regra.
O sino da porta avisa que alguém está entrando. Retiro a concentração das páginas manchadas e puídas do velho caderno e olho para trás. Sou surpreendida com um abraço e um sorriso que poderia iluminar uma cidade inteira. Era o meu amor.
Sentou-se, tomou alguns goles do meu café, leu a história, e por fim acaba rindo, como se duvidasse da minha sanidade.
Ficamos ali por horas, nos deliciando com xícaras de café e com papos que falavam sobre tudo e sobre nada.
Finalmente decidimos sair, passear. Já havia anoitecido, o que tornava o passeio ainda mais encantador.
Atravessando a rua deserta, rindo e brincando. De repente uma luz nos cega, carro em alta velocidade vinha em nossa direção. Não deu tempo de pensar, agir. Apenas nos agarramos e sentimos a pancada. Pude ouvir como último suspiro do meu querido: "Eu te amo..."
Pra quê? Pra quê esse tal de final feliz?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Desvario

Bateu na mesma tecla repetidas vezes. O piano que ganhara quando ainda tinha 6 anos estava gasto, mas ainda soava como novo.
Passara as últimas horas, os últimos dias e meses sentada ali, apenas tocando, sentindo.
Precisava incorporar, a música ia de tons mais leves e delicados aos mais ousados e violentos. Queria sentir e interpretar como nunca houvera feito...
Passados alguns dias, lá estava, sentada diante do longo e reluzente piano, diante de milhares de pessoas. O tão esperado momento, seu momento.
Tocou uma adaptação de Tchaikovsky, seus dedos percorriam o teclado com leveza e os pés pressionavam o pedal com certa agressividade. A música saiu no tom esperado, ela estava realizada e não conseguia se conter.
Ao fim, levantou-se e foi agradecer a platéia que aplaudia ferozmente. Deixou o palco.
Seu objetivo fora alcançado, então por que continuava a ouvir aquelas vozes? Por que na sua cabeça ecoavam sentenças de desaprovação? Como se todo o seu esforço não fora válido, como se ainda era preciso mais?
Parecia não ter fim, e quem sabe não tinha mesmo.


domingo, 20 de março de 2011

A permuta.

Observei durante anos uma adorável moça que sempre ia ao cemitério aos domingos e passava horas conversando com certo túmulo. Despertou-me grande curiosidade, e certo dia resolvi ir lá, apenas ver se estava bem.
Conversamos durante horas e ela contou-me que o túmulo era de sua irmã. Uma história extraordinária. Eram gêmeas siamesas e durante quinze anos viveram grudados uma á outra pelo abdômen.
A rotina já era costumeira, não ligavam muito por estarem grudadas, bom, pelo menos até a sua adolescência. Logo, a moça começou a se interessar por um rapaz e quis privacidade. Pesquisou durante um longo tempo sobre a cirurgia de separação. Descobriu que era possível e sem muitos danos. Passou meses tentando convencer a irmã, que de maneira alguma queria a separação, temia a morte, pois sempre foi a mais frágil e contraia doenças facilmente, o medo de morrer era iminente e ela se recusava a fazer a cirurgia. Mas seu amor pela irmã e vendo-a querendo levar a vida adiante, uma vida só dela, a fez aceitar a cirurgia.
Pediram de aniversário e assim foi feito. A moça contou-me que acordou em uma cama de solteiro, na qual sua irmã não estava. A alegria tomou conta dela por vários minutos pensando no que ia fazer daquele momento em diante, até que lembrou de sua irmã, queria saber se ela também estava se sentindo feliz. A mãe apenas chorou e a abraçou contando que a irmã não tinha resistido à cirurgia e falecido.
Desde então fazia visitas freqüentes ao túmulo para contar a irmã tudo que havia conquistado e tentar amenizar o seu sentimento de culpa.
Deixei-a lá, conversando com o túmulo e voltei ao trabalho...
- Olha querida irmã, um homem interessado em nossa extraordinária história, aposto que ele adoraria conhecê-la e ver o quanto é maravilhosa.
A falta que minha irmã me faz é imensa, não pensei nela, em seus problemas de saúde, apenas em mim mesma, sua morte é culpa do meu egoísmo.
De repente o céu inteiro se fechou, uma chuva torrencial começou a cair, não pensei em me retirar, queria apenas ficar ali por mais alguns intantes, até que um raio me atingiu.
Minutos depois, meu corpo se levantou, olhei para o túmulo, o lugar que passei muitos anos da minha jovem vida, sorri malignamente:
- É querida irmã, agora é a minha vez de viver.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Imensidão.

"Porque eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam." Carlos Drummond de Andrade

Não consigo explicar a imensidão dessas palavras. Você, leitor, pode não achar, mas pra mim, significam mais do que apenas palavras, uma lição de vida.
Aquela mania insistente de se redimir ao que os outros pensam e falam de você.
Suas ações vão mudando, seu eu se reprime, sua personalidade se perde e acaba se tornando o que a sociedade quer.
Já passei por isso e tenho certeza que muitos já passaram. Falar e agir da maneira que a sociedade dita.
Com o tempo, percebi que era mais que isso, não precisava seguir tais ditaduras, que vão desde as coisas mais superficiais até as mais profundas.
Não preciso me encaixar na sociedade, preciso mesmo é ser o que quero ser. Agir da maneira que quero agir e buscar os meus sonhos.
É baseado nisso que eu busco a minha felicidade, vou atrás do que acredito e do que sonho, por que afinal, meu tamanho é só uma mera demonstração do que eu sou. O que sou de verdade é mil vezes maior, e não preciso provar isso a ninguém, só pra mim mesma.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O último suspiro.

Palavras são apenas palavras. Ações são apenas ações.
Deixei de acreditar nas minhas próprias palavras. Faz um tempo já. E posso dizer que foi uma das decisões mais desgraçadas que já tomei.
A falta de crença em você mesmo e nas suas capacidades gera a desconfiança. Extremamente desconfiante. Acho que é a melhor definição pra mim.
O pior de tudo é o medo que se cria. De fracassar, de falhar, de decepcionar. Medo de si mesmo. O pior de todos os medos, não tem como fugir do seu subconsciente. Aquelas palavras, aqueles suspiros vão soprar no seu ouvido repetidas vezes, até que você dê de fato o seu último suspiro...